Legenda: Rudi Guimarães em Jerusalém. |
Rudi Matheus Resende Guimarães (5 de julho de 1995) - Nasceu em Três Lagoas, no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, filho de Arrudes Ferreira Guimarães e da professora Cláudia Guimarães, e descendente de famílias importantes na região do Bolsão de Mato Grosso do Sul. Na atualidade, é formado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, realizando um mestrado em Estudos Medievais. Portanto, reside em Portugal, país de onde saíram os ancestrais dos desbravadores de Mato Grosso do Sul.
O historiador Rudi teve como grande influência na infância sua avó paterna Adelaide Teodora, que lhe ensinou os valores intergeracionais da família, sua tradição e a história dos seus ancestrais. Sua família é formada por pecuaristas da região do Bolsão; seu pai foi proprietário de partes da Fazenda Pouso Alto, por doação de seu avô João Ferreira Guimarães. Dentro da sua ascendência encontram-se nomes como Juscelino Ferreira Guimarães, fundador do Pouso Alto; coronel Antônio Trajano dos Santos, fundador de Três Lagoas; Mizael Ferreira de Mello, abastado fazendeiro de Água Clara; alferes Januário Garcia Leal, um dos fundadores de Paranaíba; além de muitos bandeirantes paulistas.
Esse passado histórico, aprendido dentro de casa por orientação de sua avó, deu-lhe gosto pela história de forma geral, com especial atenção ao legado de sua família no Mato Grosso do Sul. Todavia, apesar de uma ancestralidade ilustre da região, uma parte de sua origem marcou mais a sua memória: trata-se da sua herança judaica, transmitida através de uma fala do seu pai. Segundo o próprio, sua avó Izabel Nogueira contou-lhe que tinham origem judaica, além da conhecida e óbvia origem portuguesa.
Isso chamou-lhe a atenção; era ainda pequeno e tinha uma base religiosa fraca, nem sequer batizado era. Portanto, para todos os efeitos, não tinha uma religião como a maior parte das crianças brasileiras, o que o aguçou a conhecer e estudar sobre a religião de parte de seus ancestrais. Entretanto, outro ponto importante que vem junto do legado de seus ancestrais é o político. Descendente de famílias tradicionalíssimas, prestou atenção aos feitos políticos da liderança de sua ascendência na região, ao seu conservadorismo e à responsabilidade com a sociedade que ajudaram a criar.
Seus tios-avós Alberto Ottoni Guimarães e Urbano Ferreira Guimarães destacaram-se na liderança política de Água Clara; já seu bisavô Juscelino Ferreira Guimarães, abastado fazendeiro e tabelião, era o principal nome e representante do distrito de Pouso Alto, fazendo parte do PSD de Juscelino Kubitschek. O fundador de Três Lagoas, Antônio Trajano, fazia parte da Guarda Nacional e era coronel, tendo sido influente na política de Três Lagoas, além de destacar-se como figura local por ter criado a dita cidade. Os Garcia Leal, por sua vez, eram parte do Partido Conservador no período imperial, favoráveis à manutenção do regime monárquico e estabilizadores da região conhecida agora como Bolsão.
É certo afirmar que os Garcia Leal, Ferreira de Mello, Rodrigues da Costa e Corrêa Neves eram atuantes na política de São Paulo e Minas Gerais. Os Rodrigues da Costa participaram da Inconfidência Mineira; os Garcia, ao contrário, eram conservadores e ligados ao chamado Partido Português. Aliás, são essas disputas políticas que estão, em parte, por detrás do assassinato de João Garcia Leal, que levou seus órfãos a terem-se mudado, no futuro, para o então Sul de Mato Grosso.
Herdeiro de tamanha tradição, muito jovem se interessou pela política, tendo feito parte de movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff, com destaque para sua participação no Movimento Pátria Livre, Instituto Conservador e Instituto Iniciativa. Todavia, seu amor pela herança judaica e a convicção de que a fé de seus ancestrais era verdadeira levaram-no a renunciar à sua breve passagem pela política e a empenhar-se no seu retorno formal ao judaísmo. Chegou a estar junto da liderança da Beit David, cuja presidência era de Daniel Matos, descendente de judeus portugueses e polacos. Estudou também hebraico com a professora Fernanda Carmi Armel, com quem aprendeu a ler e a escrever na língua de seus ancestrais.
Legenda: Rudi Guimarães, quando muito jovem, após passar pelo Beit Din em 2018. Campo Grande - MS
Realizou seu processo de conversão ao judaísmo ortodoxo em 2018, num Beit Din de Jerusalém sob a presidência do Rabino Haim Amsalem, atuante no retorno de descendentes de judeus ibéricos à religião de seus ancestrais. Desde então é formalmente judeu, mantendo prática religiosa iniciada ainda aos 17 anos de idade. Foi o culminar de uma luta que lhe levou anos, motivando a renúncia a muitos dos seus objetivos pessoais em nome de uma causa maior.
Com a aprovação da Lei de Concessão de Nacionalidade aos Judeus Sefarditas de Portugal, decidiu deixar o seu país natal para estudar História na Universidade do Porto e viver o judaísmo em Portugal. Neste ínterim, passou a ser membro e frequentador de uma sinagoga ortodoxa portuguesa, sendo integrado pelo Rabino Yoel Zekri, sensível à história judaica portuguesa e espanhola, sendo ele próprio descendente dos refugiados ibéricos.
Legenda: Rudi Guimarães em uma sinagoga portuguesa.
Legenda: Rudi Guimarães com tefilins na Sinagoga de Belmonte, local onde mais de 200 criptojudeus portugueses retornaram ao judaísmo.
Como licenciado em História, foca-se no passado medieval dos judeus portugueses, especializando-se na parte que trata das controvérsias entre judeus e cristãos. Área esta ainda pouco debatida em Portugal, que explora o historial do antissemitismo cristão no país que expulsou os seus judeus e por séculos os proibiu de voltar.
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