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| Rabino Moisés Boino HaKohen dando um sermão numa sinagoga medieval em Portugal. Retratação feita pela OpenAI. |
É muito conhecido pela historiografia a origem judaica das famílias pioneiras da região do Bolsão, relacionada com a expulsão e conversão forçada dos judeus em Portugal. Ao contrário de Espanha, o governo português decidiu converter todos os seus súditos judeus ao cristianismo, impedindo-os, a princípio, de sair do país; só tendo-se concedido permissão aos seus descendentes gerações depois, através de vultosos pagamentos. Entretanto, uma grande parte destes cristãos-novos, discriminados intitucionalmente e pela população, permaneceu e miscigenou-se com a população local.
O Brasil, sendo um território português, recebeu milhares de cristãos-novos e seus descendentes já assimilados a outras famílias portuguesas. Os Garcia Leal, os Nogueira, os Tosta, os Ferreira de Mello, os Pereira dos Santos, Camargo, entre outras, descendem de famílias ilustres de São Paulo e do sul de Minas Gerais, com origens que variam de fidalgos a judeus, que viram a oportunidade de prosperar num território que não havia sido desbravado e onde os estratos sociais dominantes ainda se estavam a constituir. Sem existir um monopólio de origem, muitos desses portugueses vinham do Entre-Douro-e-Minho, Trás-os-Montes, Alentejo, Algarve e Açores; portanto, de todas as partes do país europeu.
Entre esses ancestrais europeus, temos muitos dos famosos bandeirantes paulistas, como são os casos de: Pedro Vaz de Barros; Capitão Manoel Pires; Raposo Tavares; Lourenço Castanho Taques, etc. Alguns deles nobres, como é o caso da família Taques e Leme; noutros, criptojudeus, como é o caso de Raposo Tavares e Vaz de Barros. Essa singular mistura criou uma identidade de força e resistência capazes de moldar a nascente identidade paulista, orgulhosa e nobre, ao mesmo tempo mestiça, que não seguia as leis de pureza de sangue, que discriminava judeus.
No século XVIII, com a corrida do ouro de Minas Gerais, localidade então pertencente a São Paulo, milhares de portugueses, como nunca antes, atravessaram o atlântico com o sonho de riqueza. Nobres e plebeus, cristãos-velhos e cristãos-novos, nortenhos ou ilhéus, contraditórios, mas unidos pelo propósito de mudarem de vida. Por acidente, essa união deu base à nascente identidade brasileira, ainda sem nome, que seria tão importante nos eventos de independência do Brasil. Umas das famílias oitocentistas a chegar à América Portuguesa, foram os açorianos Garcia Leal, numerosos e de origens híbridas, apesar de portugueses as suas raízes eram da Flandres e outra parte era judia. Eram descendentes do rabino e físico Moisés Boino, portuense e de linhagem sacerdotal, era o retrato do aristocrata judeu presente em Portugal no século XV.
No século XVIII, com a corrida do ouro de Minas Gerais, localidade então pertencente a São Paulo, milhares de portugueses, como nunca antes, atravessaram o atlântico com o sonho de riqueza. Nobres e plebeus, cristãos-velhos e cristãos-novos, nortenhos ou ilhéus, contraditórios, mas unidos pelo propósito de mudarem de vida. Por acidente, essa união deu base à nascente identidade brasileira, ainda sem nome, que seria tão importante nos eventos de independência do Brasil. Umas das famílias oitocentistas a chegar à América Portuguesa, foram os açorianos Garcia Leal, numerosos e de origens híbridas, apesar de portugueses as suas raízes eram da Flandres e outra parte era judia. Eram descendentes do rabino e físico Moisés Boino, portuense e de linhagem sacerdotal, era o retrato do aristocrata judeu presente em Portugal no século XV.
QUEM DE FACTO FOI O RABINO BOINO HAKOHEN?
Ele era filho do Rabino Abraham ben Moshe, também portuense, que por sua vez tinha como pais Moshe Boino HaKohen e Clara, remontando, segundo algumas tradições, a uma família de Kohen que mudou-se para o reino dos Francos, através do Egipto, requisitando uma linhagem nos Oniadas, família sacerdotal exilada pelos Hasmoneus, aquando da tomada do cargo de Sumo-sacerdote em Jerusalém. Sendo guardião de uma tradição tão nobre e aristocrática, recebeu uma educação esmerada que lhe deu acesso a Corte Portuguesa, convivendo com o rei Dom Afonso V, como seu físico-mor.
Aliás, muito religioso e conhecedor do judaísmo, destacou-se por sua fidelidade à religião de seus ancestrais. Aquando da expulsão dos judeus do reino, resistiu e cruelmente foi morto, negando-se a converter-se a religião cristã. Contudo, sua esposa e filhos foram convertidos, assumindo o apelido familiar de Vaz, mantendo-se casamentos endogâmicos. Com o despontar das perseguições aos cristãos-novos judaizantes, muitos de seus descendentes mudaram-se para os arquipélagos recém-descobertos e conquistados por Portugal, que estavam a ser colonizados e povoados por novas famílias.
É nos Açores que eles se misturam com colonos flamengos, mesclando culturas e criando novas famílias. É desta união no meio do atlântico, que nasce a afamada e afortunada família Garcia Leal, que teve a oportunidade de ascender socialmente na São Paulo oitocentista, unindo-se às velhas famílias paulistas, muitas das quais com raízes fidalgas e judias. Mas sem sombra de dúvida, a sua ida para os sertões bravios com o Anhanguera II, penetrando em Goiás e no Mato Grosso, é o seu maior salto na escala social. É verdade que já eram relativamente abastados, donos de extensas propriedades e animais de criação, carros-de-bois e ferramentas fundamentais para a manutenção dessa fortuna, mas só mesmo após a mudança para essa nova fronteira do Império, é que essa família chegou ao seu auge.
Em Goiás e no Mato Grosso do Sul, assumiram uma liderança sem igual, no segundo o seu poder, fama e riqueza alcançaram proporções inimagináveis para os seus ancestrais ilhéus. Utilizaram-se do seu poder e astúcia, para trazer muitos de seus parentes paulistas e mineiros para o empreendimento, constituindo uma verdadeira classe dos melhores e mais destacados, planeando casamentos com o objetivo de se perpetuarem por gerações nas altas posições. Assumiram riscos, enfrentaram os nativos na sua resistência, morreram de doenças tropicais de ataques indígenas, mas não desistiram de se manterem senhores da região que haviam conquistado.
Em suma, mantiveram a mesma coragem e resistência do que o rabino portuense, não abandonando a sua identidade e sua missão, fiéis ao propósito familiar e comunitário. Já não como judeus ou parte de uma minoria étnica, mas como uma aristocracia nascida do mérito, fundamentada no heroísmo de seus ancestrais híbridos. É-nos difícil definir até onde vai a influência hebraica destes desbravadores, se se resume a cerimónias funerárias, costumes e tradições religiosas estranhas ao catolicismo, ou mesmo à desconfiança herdada da Igreja e da sua estrutura de poder. Mas podemos afirmar com toda certeza, que essa herança esta presente na força e resiliência que ajudou a construir a história de Mato Grosso do Sul e das cidades do bolsão.
Em suma, mantiveram a mesma coragem e resistência do que o rabino portuense, não abandonando a sua identidade e sua missão, fiéis ao propósito familiar e comunitário. Já não como judeus ou parte de uma minoria étnica, mas como uma aristocracia nascida do mérito, fundamentada no heroísmo de seus ancestrais híbridos. É-nos difícil definir até onde vai a influência hebraica destes desbravadores, se se resume a cerimónias funerárias, costumes e tradições religiosas estranhas ao catolicismo, ou mesmo à desconfiança herdada da Igreja e da sua estrutura de poder. Mas podemos afirmar com toda certeza, que essa herança esta presente na força e resiliência que ajudou a construir a história de Mato Grosso do Sul e das cidades do bolsão.

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